terça-feira, 24 de abril de 2012
Adoção
No Brasil, o processo está mais transparente, mas ainda há muito a se fazer para facilitar a adoção. Confira o bate-papo da CRESCER com duas especialistas no assunto
Bruna Menegueço
Uma das conquistas das famílias formadas por adoção é ter um dia só delas para comemorar. A data – 25 de maio - foi instituída por meio de uma lei federal em 2002, com o objetivo de promover mais reflexão sobre o assunto. “Depois disso, muita coisa mudou e o tema está sendo desmistificado, os trâmites jurídicos estão mais ágeis, principalmente quando os adotantes têm exigências menores em relação ao perfil da criança que desejam como filho”, diz a psicóloga Lidia Weber, pós-doutora em Desenvolvimento Familiar, com 12 livros publicados, entre eles Adote com carinho: um manual de aspectos essenciais da adoção (Ed. Juruá), lançado este mês.
Em 2008, houve a criação do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), que concentra as crianças que podem ser adotadas e os adotantes em todo o país. Apesar de facilitar o encontro de ambos, ele ainda não funciona como deveria, mas já traz bons resultados. “Com ele, tenho percebido uma procura maior por crianças maiores de 2 anos - as chamadas adoções tardias - e irmãos. As pessoas candidatas a adotar estão mais dispostas a mantê-los juntos e a Justiça, mais empenhada em favorecer esse vínculo”, explica a psicóloga Lídia Levy, supervisora da equipe de psicologia da PUC-Rio, que atua em diferentes varas do Rio de Janeiro.
O desafio é atualizar essa base de dados frequentemente. “Ninguém sabe quantas crianças de fato existem nos abrigos do Brasil - estima-se que sejam cerca de 80 mil -, mas o cadastro tem menos de 5 mil crianças e 20 mil pretendentes à adoção. Onde estão as outras crianças? Estão em processo de destituição do poder familiar, não tem estudo de caso ainda, estão em comarcas que sequer têm computadores interligados com o Cadastro Nacional de Adoção”, diz Lídia Weber.
Para adotar uma criança, é necessário sentir um desejo profundo de ter filhos. “Não se pode confundir com a vontade de ajudar uma criança ou suprir uma carência da vida. Não é esse sentimento que você deve ter, é amor de mãe ou pai. Confundir o real motivo para adotar é como engravidar para salvar o casamento e depois se separar, ou seja, aquela criança nasceu para consertar outra coisa", diz Levy. E ela compara a situação como quando se tem um filho biológico. Ou seja, quando você segurou seu filho no colo, não o amava do mesmo jeito que o ama hoje. Afinal, o amor é construído a cada dia, assim como a maternidade também.
Se você tem esse desejo, o primeiro passo é comparecer a um Juizado da Infância e da Juventude mais próximo. Lá, será feito um estudo do adotante que receberá um certificado de Habilitação e, então, entrará no cadastro (fila) para realizar uma adoção.
Os principais desafios de quem deseja adotar
- Preparar-se com antecedência: buscar informações e preparação psicológica sobre o processo e a dinâmica familiar que envolve a adoção;
- Revelação precoce da adoção para o filho, ou seja, falar sempre e desde sempre;
- Conversar sobre adoção e sobre sua história com o filho em diferentes momentos do seu desenvolvimento;
- Respeitar a criança e ajudá-la se ele quiser mais detalhes sobre a sua família de origem;
- Preparar cuidadosamente toda a família (tios, avós e amigos próximos) sobre a adoção para que não seja surpresa e, assim, diminuir o risco de discriminação;
- Falar do tema com tranquilidade e sentir-se confortável diante de estranhos e amigos. Não é preciso falar sobre o assunto o tempo todo; lembre que segredo sobre a situação não é bom, mas privacidade é essencial.
Fonte: Livro Adote com Carinho (Editora Juruá)
extraído de http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI236008-10514,00.html
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